segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Startup goiana se aproxima de mil academias no Brasil

Startup goiana se aproxima de mil academias no Brasil

Moovz está presente em todos os estados, emprega 26 pessoas e já testa a tecnologia fora do País

24 de agosto de 2026

Giovanne Ramos: “Hoje, nós estamos presentes em todos os estados do Brasil e a gente está chegando a mil academias”

Identificar uma demanda mal atendida, desenvolver uma solução própria e transformar a ideia em um negócio capaz de ganhar escala nacional. Foi seguindo esse caminho que o empreendedor goiano Giovanne Ramos criou a Moovz, startup que utiliza tecnologia e gamificação para transformar a experiência de quem pratica atividades físicas em academias.

À frente da empresa como CEO e cofundador, Giovanne conta que o negócio nasceu após perceber uma lacuna no mercado brasileiro. Já existiam empresas estrangeiras oferecendo sistemas de monitoramento de treinos, mas, segundo ele, as soluções tinham pouca adaptação ao público nacional e se limitavam, principalmente, ao acompanhamento das atividades em tempo real.

“Já existiam alguns players que faziam um trabalho parecido, mas não existia nenhuma empresa brasileira que fizesse o trabalho que a Moves faz”, afirma.

 A oportunidade estava justamente em ir além do monitoramento. Com experiência prévia no mercado fitness e contato com proprietários de academias e redes de diferentes regiões do Brasil, Giovanne percebeu que poderia transformar os dados coletados durante os exercícios em uma experiência capaz de aumentar o engajamento dos alunos. “A gente poderia criar um sistema de gamificação e colocar as pessoas para brincar ali”, explica..

Metodologia

A proposta resultou em uma metodologia que busca medir o esforço individual de cada participante, evitando comparações baseadas exclusivamente em indicadores como calorias gastas.

A partir dos dados, os alunos conseguem acompanhar o próprio desempenho e participar de rankings durante as atividades. Segundo Giovanne, após o lançamento, academias que utilizavam soluções estrangeiras começaram a migrar para a plataforma brasileira.

Transformação

Na prática, a Moovz utiliza dispositivos vestíveis, os chamados wearables, integrados ao aplicativo desenvolvido pela empresa. Antes da atividade, o aluno coloca um bracelete conectado ao seu cadastro. Informações como altura, peso e histórico são utilizadas pelo sistema para estimar a faixa de esforço adequada durante o exercício.

Durante uma aula coletiva, os dados podem aparecer em televisores, telões ou painéis instalados na academia. O participante acompanha em tempo real sua zona de treino e recebe indicações sobre a necessidade de aumentar ou reduzir a intensidade.

Para Giovanne, a gamificação também ajuda a atacar um dos desafios enfrentados pelas academias: manter o aluno interessado na prática de exercícios ao longo do tempo.

“Moovz nasce para elevar a experiência de treino das pessoas de uma maneira diferente, com tecnologia e com gamificação”, resume.

A empresa não pretende, porém, ficar restrita aos braceletes. A estratégia é acompanhar a evolução dos dispositivos tecnológicos e incorporar novas possibilidades à experiência do exercício físico.

“Amanhã pode ser uma tiara, amanhã pode ser um óculos, amanhã pode ser um fone de ouvido diferente. Então, nossa missão é avançar tecnologicamente na experiência de treino e entregar isso para o nosso usuário”, afirma.

Brasil

Em menos de três anos de atuação, a startup conseguiu levar a solução para todas as unidades da Federação. Segundo Giovanne, a Moovz se aproxima da marca de mil academias atendidas no País.

“Hoje nós estamos presentes em todos os estados do Brasil e a gente está chegando a mil academias”, destaca.

O crescimento também se reflete na estrutura interna da empresa. Atualmente, são 26 colaboradores distribuídos entre desenvolvimento de produtos, pesquisa em tecnologia, vendas, marketing e parcerias. Como parte da tecnologia utilizada é importada, a startup mantém uma equipe dedicada à pesquisa de equipamentos, componentes e novas possibilidades de hardware.

Apesar da expansão nacional, Giovanne pretende manter a sede da empresa em Goiás. O empreendedor e os demais co-fundadores têm ligação com o Estado, fator que, segundo ele, reforça a decisão de preservar a operação local mesmo com a possibilidade de abertura de polos em outras regiões.

“A gente está orgulhoso de ter essa empresa aqui. A nossa sede é aqui e vai continuar sendo aqui. Podemos ter polos em outros lugares do Brasil, mas, enquanto eu conseguir e puder, eu vou manter aqui, porque tenho orgulho do nosso Estado”, afirma.

A Moovz nasce para elevar a experiência de treino das pessoas de uma maneira diferente, com tecnologia e com gamificação

Mercado internacional

Depois de alcançar todas as regiões brasileiras, a Moovz começa a olhar para fora do país. A startup já possui clientes-piloto na Europa e na América do Sul e trabalha com a perspectiva de ampliar a atuação internacional nos próximos anos.

A América do Norte e o mercado europeu aparecem entre os principais alvos da estratégia de expansão.

O crescimento ocorre em um mercado que, na avaliação do empresário, está cada vez mais disputado. A abertura de academias com estruturas modernas e novos equipamentos, por exemplo, pressiona estabelecimentos concorrentes a buscar diferenciais tecnológicos para conquistar e manter clientes.

Giovanne cita como exemplo a abertura de novas academias em Goiânia, que aumenta a discussão em torno de fitness e bem-estar e estimula outros estabelecimentos a investir em inovação.

“As academias em volta querem se diferenciar de alguma forma. E a forma que elas acham de se diferenciar para não ficar para trás, muitas vezes, é colocando a Moovz dentro da academia”, explica.

Aposta em talentos 

Além da expansão comercial, Giovanne aponta o desenvolvimento do ecossistema tecnológico goiano como uma das missões que pretende assumir como empreendedor.

A Moovz foi reconhecida entre as mil startups selecionadas pelo Sebrae Startups no ano passado e, segundo o empresário, avançou neste ano para o grupo das 100 startups do Brasil na iniciativa. A juventude também aparece na composição da equipe: a média de idade dos profissionais da empresa é de 24 anos.

Para Giovanne, criar oportunidades para profissionais formados no próprio Estado pode ajudar Goiás a desenvolver novos negócios de base tecnológica e evitar que talentos locais precisem procurar oportunidades em outros centros.

Missão

“A minha missão agora, pessoalmente, como empreendedor, é ajudar no desenvolvimento tecnológico do nosso Estado. Então, aproveitar os núcleos que a gente tem aqui de computação e dar espaço para os jovens, onde eles podem trabalhar, onde eles podem usar a atividade que eles têm”, afirma.

Na avaliação do empresário, Goiás já possui capital humano suficiente para criar empresas competitivas nacional e internacionalmente. O desafio é oferecer estrutura para que essas ideias consigam sair do papel.

“A gente tem muita gente inteligente aqui no nosso Estado. A gente só tem que sair da frente deles, parar de atrapalhar. Dá as condições, dá o terreno, que coisa boa consegue sair daqui também”, conclui.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não será publicado.