Aos 93 anos, Goiânia já demonstrou capacidade de crescer e atrair investimentos. O desafio será transformar essa força em uma economia mais inovadora, produtiva e competitiva.

Goiânia chega aos 93 anos neste sábado (dia 24) com uma economia de R$ 75,8 bilhões, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) municipal de 2023. Consolidada como um dos principais centros econômicos do Centro-Oeste, a capital goiana se aproxima do centenário diante de um desafio estratégico. Transformar sua capacidade de crescimento em maior produtividade, geração de riqueza e qualidade de vida.
Com população estimada em aproximadamente 1,51 milhão de habitantes em 2026, Goiânia construiu sua força econômica a partir do comércio, da prestação de serviços, da construção civil, do mercado imobiliário e de setores especializados, como saúde e educação. A cidade também se beneficia da expansão do agronegócio goiano, funcionando como centro de negócios, serviços financeiros e atividades empresariais para o interior do estado.
A predominância dos serviços é uma das características mais marcantes dessa economia. Em 2025, Goiânia registrou saldo positivo de 15.152 empregos formais, segundo o Novo Caged. Desse total, 12.910 vagas foram geradas pelo setor de serviços, aproximadamente 85% do saldo líquido.
Os números demonstram dinamismo, mas também evidenciam um dos principais desafios da capital: elevar a qualidade e a remuneração dos empregos. O salário médio de admissão ficou próximo de R$ 2.049 em 2025, indicador que reforça a importância de ampliar atividades de maior valor agregado.
Para as próximas décadas, Goiânia tem oportunidades de diversificar sua economia a partir de vocações já consolidadas. A concentração de hospitais, clínicas e instituições de ensino abre espaço para o fortalecimento de um polo de saúde, pesquisa e tecnologia médica.
A expansão da economia digital também oferece oportunidades em inteligência artificial, desenvolvimento de software e serviços empresariais especializados. Outra frente promissora está no agronegócio, não necessariamente na produção agrícola, mas na oferta de tecnologia, crédito, seguros, logística e soluções de gestão para um dos setores mais dinâmicos de Goiás.
A indústria da moda, especialmente a partir da força comercial da Região da 44, também apresenta potencial para avançar em marcas próprias, design, comércio eletrônico e distribuição nacional. O desafio será transformar essas vocações em negócios mais competitivos, capazes de ampliar mercados, atrair investimentos e gerar empregos de melhor remuneração.
Se a economia apresenta oportunidades, o crescimento urbano impõe obstáculos. A expansão da frota de veículos, os congestionamentos e a integração crescente com municípios vizinhos tornam a mobilidade um fator determinante para a competitividade econômica.
O tempo perdido no trânsito representa custos para empresas, trabalhadores e consumidores. Por isso, investimentos em transporte coletivo, intervenções viárias e planejamento urbano devem ser compreendidos também como instrumentos de desenvolvimento econômico.
Outro desafio será conciliar a expansão imobiliária com infraestrutura, sustentabilidade e qualidade de vida. Drenagem, arborização, saneamento e manutenção urbana influenciam diretamente a atratividade da cidade para novos investimentos.
A modernização da gestão pública também terá papel relevante. Menos burocracia, maior agilidade no licenciamento e segurança jurídica são fatores que podem fortalecer o ambiente de negócios e estimular o empreendedorismo.
Em 2033, Goiânia completará 100 anos. Até lá, terá a oportunidade de estabelecer as bases de um novo ciclo de desenvolvimento, sustentado pela inovação, pela qualificação profissional e pela melhoria da infraestrutura.
Uma simulação ajuda a dimensionar esse potencial. Considerando o PIB de 2023 como referência, um crescimento real médio de 2,5% ao ano elevaria a economia municipal para aproximadamente R$ 148 bilhões em 2050, a preços constantes de 2023. Com expansão anual de 4%, o valor poderia superar R$ 218 bilhões. São cenários hipotéticos, não projeções oficiais.
Mais importante do que ampliar o tamanho da economia será garantir que esse crescimento se traduza em renda, oportunidades e qualidade de vida.