Projeto Plantadores de Água mantém viveiro de espécies nativas com apoio do Fundo Social da Sicredi Cerrado GO

Em Goiás, terra de grandes lavouras de soja, milho e sorgo, há quem cultive algo que não se colhe: água. Com um viveiro com nove mil mudas de espécies nativas do cerrado e de outras regiões que se adaptam ao bioma, o Instituto Plantadores de Água, em Goiânia, tem como principal missão a conservação e a restauração da biodiversidade do cerrado em ambiente urbano. Com o apoio fundamental do Fundo Social da Sicredi Cerrado GO há quatro anos, o instituto ganha força para realizar outras ações, como receber alunos de diversas escolas e ensinar pelo exemplo.
O nome Plantadores de Água traduz a ideia que move o instituto: ao recuperar a vegetação do Cerrado, seus voluntários ajudam a criar condições para que a água da chuva penetre no solo e abasteça as reservas subterrâneas e alimente nascentes e rios. As árvores também liberam umidade no ar e contribuem para a formação de chuvas, por isso Plantadores de Água.
Entre os voluntários estão professores, engenheiros ambientais, pesquisadores, advogados, entre outros profissionais liberais e pessoas da comunidade, que participam do plantio de árvores em áreas degradadas e praças de Goiânia e da região metropolitana. O coletivo desenvolve ainda trabalhos de restauração ecológica em propriedades privadas, a convite dos proprietários.
Uma história que começou na escola
E uma semente de cajuí ajudou a dar origem ao instituto. O que começou com a curiosidade de estudantes sobre os frutos da vegetação nativa, se transformou na iniciativa de recuperação ambiental, que reúne educação, voluntariado e preservação desde 2019. A atividade escolar, inicialmente voltada ao conhecimento dos frutos do bioma, aproximou pessoas interessadas em contribuir para sua preservação. Atualmente cerca de 60 voluntários fazem parte do grupo.
Em 2019, o grupo se mobilizou para participar de uma ação coletiva de plantio. No bairro Vereda dos Buritis, em Goiânia, os voluntários plantaram 380 mudas em um único dia. O trabalho não terminou quando as plantas foram colocadas na terra. Preocupados com a sobrevivência das espécies, os integrantes retornaram à área para acompanhar seu desenvolvimento. Essa preocupação ajudou a definir a identidade dos Plantadores de Água em que a proposta não é apenas plantar árvores, mas cuidar das mudas e acompanhar o desenvolvimento das espécies.
Entre as pessoas que dedicam tempo e conhecimento a esse trabalho está a bióloga e educadora Eliamara Rodrigues dos Santos Dias, uma das fundadoras e vice-presidente do instituto. Para ela, plantar uma árvore significa assumir um compromisso que ultrapassa a própria geração. “Se eu plantar um pequi hoje, talvez eu não consiga comer os frutos dele. Porque o processo de produção de frutos e sementes é muito longo. Então isso é uma grande prova de amor”, afirma.

Uma das características do trabalho desenvolvido pelo coletivo é que os resultados nem sempre são imediatos. Entre a coleta de sementes, a germinação, o crescimento das mudas e o plantio definitivo, existe um percurso que exige conhecimento técnico, dedicação e recursos financeiros.
Produzir mudas nativas exige mais do que reunir sementes e preparar recipientes com substrato. Algumas espécies apresentam dificuldades de germinação e precisam permanecer por longos períodos no viveiro antes de atingir condições adequadas para o plantio. Eliamara explica que determinadas mudas cultivadas pelo instituto passam aproximadamente um ano e meio em desenvolvimento antes de serem transferidas para o solo.
Entre as espécies presentes na história e nas atividades do grupo estão pequi, cajuí (também conhecido como cajuzinho-do-cerrado) jatobá, murici, cagaita, araticum e araçá. São plantas ligadas à biodiversidade e à cultura alimentar do Cerrado, mas cujas sementes e mudas nem sempre são fáceis de encontrar.
O desafio de manter o viveiro
A produção do viveiro, segundo a vice-presidente, é focada nas ações de recuperação organizadas pelo próprio instituto. Para que esse trabalho continue, são necessários a aquisição de equipamentos, ferramentas, substratos e a manutenção constante. É nesse ponto que o apoio financeiro se torna decisivo. “É a partir do apoio da Sicredi Cerrado GO que nós conseguimos manter o nosso viveiro”, relata Eliamara.
Parte dessa estrutura é mantida há quatro anos com apoio do Fundo Social da Sicredi Cerrado GO, iniciativa de uma cooperativa de crédito que destina uma parcela de seus resultados ao financiamento de projetos comunitários. “A relação entre o instituto e a cooperativa ajuda a contar uma história que vai além de uma doação e mostra como os resultados de uma instituição financeira, organizada sob o modelo cooperativista, pode retornar à sociedade e sustentar iniciativas e benefícios que serão percebidos durante muitos anos”, avalia a bióloga e vice-presidente.
E o instituto pretende ampliar seu alcance. Entre os planos está a criação de uma sede própria, concebida como espaço de educação ambiental prática, com captação de água da chuva, utilização de energia limpa e atividades voltadas à comunidade escolar. O objetivo também é criar condições para gerar oportunidades de trabalho e renda, reduzindo a dependência de apoios externos ao longo do tempo.
Fundo Social da Sicredi Cerrado GO
A experiência dos Plantadores de Água integra um conjunto de iniciativas apoiadas pelo Fundo Social da Sicredi Cerrado GO. Em 2026, foram destinados R$ 362.373,54 a 61 projetos sociais distribuídos por 17 municípios goianos, com alcance de mais de 50 mil pessoas. Os projetos contemplados abrangem áreas como educação, saúde, cultura, esporte, inclusão social e sustentabilidade.
O Fundo Social é financiado com parte dos resultados da cooperativa de crédito. A definição desse percentual envolve a participação dos próprios associados, que integram a estrutura de governança da instituição. Durante as Assembleias de 2025 da Sicredi Cerrado GO, realizadas digitalmente entre os dias 6 e 13 de março, os associados aprovaram o aumento de 1% para 3% da parcela do resultado anual destinada ao Fundo Social.
Para Zeir Ascari, presidente da Sicredi Cerrado GO, o Fundo Social expressa a relação entre os resultados da instituição e o desenvolvimento das comunidades onde ela atua. Segundo o dirigente, o modelo cooperativista permite que os associados participem das decisões sobre a destinação dos resultados. Já nos bancos, o lucro é destinado aos acionistas.
“Quando o associado compreende que é dono do negócio, com voz ativa nas decisões e participação nos resultados, a relação deixa de ser apenas financeira e passa a ser de pertencimento e construção coletiva. É essa consciência que fortalece o cooperativismo e amplia seu impacto para todos”, explica o presidente da Sicredi Cerrado GO.

Zeir reforça que as ações sociais são mais que um investimento financeiro e que esse recurso representa a cooperação colocada em prática. “São iniciativas que fortalecem comunidades, ampliam oportunidades e ajudam a transformar realidades. Cada projeto contemplado reforça o propósito de gerar impacto positivo coletivo”, explica.
Para Rogério Machado, superintendente da Fundação Social Sicredi Cerrado GO, o impacto dos projetos sociais contribui para ampliar o atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, a fortalecer iniciativas educacionais e criar novas oportunidades para crianças, jovens e famílias. “Mais do que financiar atividades, esse investimento fortalece capacidades locais. Ele contribui para que organizações se tornem mais estruturadas, lideranças comunitárias sejam desenvolvidas e redes de cooperação sejam fortalecidas”, afirma.
Segundo Rogério, os resultados também aparecem na autonomia das comunidades para enfrentar seus desafios e construir soluções duradouras. Ao apoiar organizações que conhecem as necessidades locais, o cooperativismo contribui para ampliar a participação das pessoas nas decisões e nas ações que transformam o lugar onde vivem. “O apoio resolve uma necessidade imediata, mas também ajuda as pessoas a perceberem que têm capacidade de atuar coletivamente para construir comunidades
mais fortes, inclusivas e prósperas”, destaca.
Cooperativismo que gera desenvolvimento
O cooperativismo goiano projeta alcançar R$ 50 bilhões em faturamento anual e 1 milhão de cooperados até 2027. Atualmente, o setor reúne 289 cooperativas e movimenta quase R$ 37 bilhões por ano. No ano em que a Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO) completa 70 anos, o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, destaca que a contribuição das cooperativas para o desenvolvimento do estado vai além dos resultados econômicos.

Para Luís Alberto, iniciativas como a da Sicredi Cerrado demonstram como o cooperativismo pode transformar os resultados financeiros em benefícios para a população, por meio de projetos voltados à educação, à inclusão e à melhoria da qualidade de vida. “As ações sociais, educacionais e ambientais promovidas pelas cooperativas ajudam a transformar realidades, ampliar oportunidades e reduzir desigualdades, gerando benefícios duradouros para toda a sociedade”, afirma.
O presidente ressalta ainda que ampliar esse impacto depende de identificar as necessidades de cada comunidade, compartilhar experiências bem-sucedidas e acompanhar os resultados dos projetos apoiados. “Cada vez mais cooperativas reconhecem que investir em projetos sociais fortalece sua relação com os cooperados, gera valor para a sociedade e contribui para um desenvolvimento mais equilibrado, inclusivo e sustentável”, acrescenta.